quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Folha de Papel

Sou uma folha em branco cheia de sonhos, expectativas e vontades do mundo, peço desculpa a inocência acabei de morrer árvore e nascer mensagem.
Sou uma folha ganhando escrita, minha silhueta desenhada em nanquim, minhas curvas formada de adjetivos e tempos verbais e o meu perfume lembra livro virgem.
Sou uma folha com conhecimento tatuado, peço desculpas pelas rasuras conforme o tempo passa minhas rasuras dilatam como feridas.
Sou uma folha agora rasurada que causa sofrimento, suspiros e até surpresas, peço desculpas sobre a história carregada em meu corpo ela se transforma em novas edições mas ninguém se atém em me transformar pois já sou vanguarda.
Sou uma folha que até ontem em branco hoje a causa de um coração devastado, peço desculpas por ter escolhido minhas ideologias, elas estavam aqui há eras.
Sou uma folha amassada e jogada para ser queimada, peço desculpas a sua projeção ao meu conhecimento, mesmo não sendo minha culpa sei que eu serei a réu.
Sou uma folha que foi socorrida de uma fogueira de tal inquisição, pois despertei o interesse em alguém, peço desculpas as queimaduras, amassados e correções e por estar tão quente acabei de voltar a vida.
Sou uma folha maltratada e peço desculpas pelo amarelado, mesmo eterna sinto os golpes do tempo como qualquer outra coisa.
Sou uma folha vívida e hoje esquecida pois num passado nem tão distante eu pude viver e hoje o que me resta são lembranças, emoções de outrora.
Fui uma folha em branco e hoje sou apenas uma mulher com o medo desta nova Era...

Devaneios de uma primavera feminista...



Nenhum comentário:

Postar um comentário