De Simone Beavouir à Maria Carolina de Jesus precisamos concordar… Nada muda, tudo se acostuma aos olhos dos cidadãos de bem!
A gente olha o passado e tenta entender que raio de meteoro foi este que não pensou em voltar no início do Feudalismo. Por que se Deus existe, não entendi o senso de julgamento em matar o dinossauro mas salvar a arca de Noé. Isso deve ser o fato de ser homem né...
Na Grécia, iniciamos uma Polis parindo desde os 13 para aumentar a população, sendo usadas para negociar lucros e política entre os patrícios e as monarquias. E mesmo assim éramos taxadas com seres que não raciocinavam.
Na idade média, nossas parteiras foram chamadas de bruxas e queimadas. Pois o homem queria o poder da maternidade, para controle da natalidade, diante de uma pândemia, afinal, um terço da população havia morrido, isso não te faz ter um Déjà vu?
Para aperfeiçoamento de técnica, médicos como James Marion Sims "o pai da ginecologia” mutilou mais de 30 vezes corpos de 7 escravas negras, para concluir corrigir a cirurgia fístula vesico-vaginal. As frases citadas no relatório do médico foi: “A sua agonia era extrema” “Achei que ela fosse morrer”
Na era escravocrata, a tradição de parir mais de 13 filhos ainda se mantinha. O senhor da casa grande espancava sua dignissima esposa pelos motivos mais alheios. Sua dignissima esposa descontava os abusos do seu marido nas escravas.
Darwin registra um destes fatos, “No Rio de Janeiro morou “em frente de uma velha senhora que possuía parafusos para comprimir os dedos de suas escravas”. E não vamos omitir os créditos de meninas negras tinham o ofício de se expor ao estupro para garotos brancos conhecer a virilidade do sexo, Gilberto Freyre eternizou este gesto cruel em seu livro casa grande Senzala de uma forma bem romântica.
Isso nos dá uma breve ideia do que nossas ancestrais passaram… Paro para pensar em qual momento o estupro: um ato de poder e posse e nunca sexual se tornou tão comum? Ou pior, assassinar a companheira é uma ato de moral!
A cada dois minutos uma mulher é vítima de violência doméstica! Enquanto você lê este texto, provavelmente uma mulher está passando corretivo, base e pó no olho roxo que seu parceiro fez “porque perdeu a cabeça”
Minha saia curta entra tranquilamente na balada, faz sucesso no instagram quando as namoradas daqueles que curtem, não tem o direito de usar a mesma saia. E também é justificativa que empresário usa para tirar a virgindade num estupro. Afinal a saia foi culpada, não houve a intenção de estuprar!
A mulher que escolhe uma profissão de domínio masculino é tida como macha! Ela é sapatão!!! Não pode demonstrar fraqueza, não pode chorar, não pode sentir dor e pior, ser feminina. Mas esquecem de avisar que 19 mil destas heroínas que sonham em ser generais são estupradas fardadas nos EUA todo ano.
Hoje nesta data tão importante, que nos lembra que mulheres foram queimadas vivas dentro de uma fábricas, onde protestavam por melhores condições de trabalho. Nos lembra que a profissão de dominância da mulher negra é a empregada doméstica. Mulheres brancas conseguiram o direito de trabalhar, mas nunca a igualdade salarial. Mulheres negras conseguiram o direito de ganhar dinheiro mas nunca saíram da cozinha.
Na antiga Grécia, mulheres brancas queriam o direito de casar por amor. Na atualidade, mulheres negras lutam uma luta invisível: a solidão afetiva negra. Não precisa fazer um estudo aprofundado, pergunte a uma amiga negra o relato do que passaram nas festas juninas ou em sermos julgadas as meninas mais feias da sala de aula. Até hoje não somos “mulher de casar”, homens flertam, elogiam, transam com a gente mas todos escolhem a branca para dar afeto. Não! Não é um ataque à mulheres brancas, mas a crítica pela pessoa que diz estar ao meu lado na militância negra e não me escolher como uma opção afetiva de relacionamento seguro.
Neste dia 8 de março, lembramos e nos conscientizamos que nos tratam todos os dias como barbies: brancas, lindas, magras sempre maquiadas, com um sorriso pintado no rosto e ricas. Que não existe racismo e machismo neste mundo de meu Deus. Então necessitamos combater este olhar eurocentrista e machista!
É a conscientização que somos mulheres divididas em gêneros, classes, condição social e sexual, com corpos diferentes e únicos. Não importa o útero, o problema do patriarcado é querer servir ao homem corpos que julgam ser femininos. Pois a feminilidade não se encontra numa curva da cintura e sim na ideia de posse.






