terça-feira, 9 de março de 2021

 De Simone Beavouir à Maria Carolina de Jesus precisamos concordar… Nada muda, tudo se acostuma aos olhos dos cidadãos de bem!

A gente olha o passado e tenta entender que raio de meteoro foi este que não pensou em voltar no início do Feudalismo. Por que se Deus existe, não entendi o senso de julgamento em matar o dinossauro mas salvar a arca de Noé. Isso deve ser o fato de ser homem né...
Na Grécia, iniciamos uma Polis parindo desde os 13 para aumentar a população, sendo usadas para negociar lucros e política entre os patrícios e as monarquias. E mesmo assim éramos taxadas com seres que não raciocinavam.
Na idade média, nossas parteiras foram chamadas de bruxas e queimadas. Pois o homem queria o poder da maternidade, para controle da natalidade, diante de uma pândemia, afinal, um terço da população havia morrido, isso não te faz ter um Déjà vu?
Para aperfeiçoamento de técnica, médicos como James Marion Sims "o pai da ginecologia” mutilou mais de 30 vezes corpos de 7 escravas negras, para concluir corrigir a cirurgia fístula vesico-vaginal. As frases citadas no relatório do médico foi: “A sua agonia era extrema” “Achei que ela fosse morrer”
Na era escravocrata, a tradição de parir mais de 13 filhos ainda se mantinha. O senhor da casa grande espancava sua dignissima esposa pelos motivos mais alheios. Sua dignissima esposa descontava os abusos do seu marido nas escravas.
Darwin registra um destes fatos, “No Rio de Janeiro morou “em frente de uma velha senhora que possuía parafusos para comprimir os dedos de suas escravas”. E não vamos omitir os créditos de meninas negras tinham o ofício de se expor ao estupro para garotos brancos conhecer a virilidade do sexo, Gilberto Freyre eternizou este gesto cruel em seu livro casa grande Senzala de uma forma bem romântica.
Isso nos dá uma breve ideia do que nossas ancestrais passaram… Paro para pensar em qual momento o estupro: um ato de poder e posse e nunca sexual se tornou tão comum? Ou pior, assassinar a companheira é uma ato de moral!
A cada dois minutos uma mulher é vítima de violência doméstica! Enquanto você lê este texto, provavelmente uma mulher está passando corretivo, base e pó no olho roxo que seu parceiro fez “porque perdeu a cabeça”
Minha saia curta entra tranquilamente na balada, faz sucesso no instagram quando as namoradas daqueles que curtem, não tem o direito de usar a mesma saia. E também é justificativa que empresário usa para tirar a virgindade num estupro. Afinal a saia foi culpada, não houve a intenção de estuprar!
A mulher que escolhe uma profissão de domínio masculino é tida como macha! Ela é sapatão!!! Não pode demonstrar fraqueza, não pode chorar, não pode sentir dor e pior, ser feminina. Mas esquecem de avisar que 19 mil destas heroínas que sonham em ser generais são estupradas fardadas nos EUA todo ano.
Hoje nesta data tão importante, que nos lembra que mulheres foram queimadas vivas dentro de uma fábricas, onde protestavam por melhores condições de trabalho. Nos lembra que a profissão de dominância da mulher negra é a empregada doméstica. Mulheres brancas conseguiram o direito de trabalhar, mas nunca a igualdade salarial. Mulheres negras conseguiram o direito de ganhar dinheiro mas nunca saíram da cozinha.
Na antiga Grécia, mulheres brancas queriam o direito de casar por amor. Na atualidade, mulheres negras lutam uma luta invisível: a solidão afetiva negra. Não precisa fazer um estudo aprofundado, pergunte a uma amiga negra o relato do que passaram nas festas juninas ou em sermos julgadas as meninas mais feias da sala de aula. Até hoje não somos “mulher de casar”, homens flertam, elogiam, transam com a gente mas todos escolhem a branca para dar afeto. Não! Não é um ataque à mulheres brancas, mas a crítica pela pessoa que diz estar ao meu lado na militância negra e não me escolher como uma opção afetiva de relacionamento seguro.
Neste dia 8 de março, lembramos e nos conscientizamos que nos tratam todos os dias como barbies: brancas, lindas, magras sempre maquiadas, com um sorriso pintado no rosto e ricas. Que não existe racismo e machismo neste mundo de meu Deus. Então necessitamos combater este olhar eurocentrista e machista!
É a conscientização que somos mulheres divididas em gêneros, classes, condição social e sexual, com corpos diferentes e únicos. Não importa o útero, o problema do patriarcado é querer servir ao homem corpos que julgam ser femininos. Pois a feminilidade não se encontra numa curva da cintura e sim na ideia de posse.



quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Folha de Papel

Sou uma folha em branco cheia de sonhos, expectativas e vontades do mundo, peço desculpa a inocência acabei de morrer árvore e nascer mensagem.
Sou uma folha ganhando escrita, minha silhueta desenhada em nanquim, minhas curvas formada de adjetivos e tempos verbais e o meu perfume lembra livro virgem.
Sou uma folha com conhecimento tatuado, peço desculpas pelas rasuras conforme o tempo passa minhas rasuras dilatam como feridas.
Sou uma folha agora rasurada que causa sofrimento, suspiros e até surpresas, peço desculpas sobre a história carregada em meu corpo ela se transforma em novas edições mas ninguém se atém em me transformar pois já sou vanguarda.
Sou uma folha que até ontem em branco hoje a causa de um coração devastado, peço desculpas por ter escolhido minhas ideologias, elas estavam aqui há eras.
Sou uma folha amassada e jogada para ser queimada, peço desculpas a sua projeção ao meu conhecimento, mesmo não sendo minha culpa sei que eu serei a réu.
Sou uma folha que foi socorrida de uma fogueira de tal inquisição, pois despertei o interesse em alguém, peço desculpas as queimaduras, amassados e correções e por estar tão quente acabei de voltar a vida.
Sou uma folha maltratada e peço desculpas pelo amarelado, mesmo eterna sinto os golpes do tempo como qualquer outra coisa.
Sou uma folha vívida e hoje esquecida pois num passado nem tão distante eu pude viver e hoje o que me resta são lembranças, emoções de outrora.
Fui uma folha em branco e hoje sou apenas uma mulher com o medo desta nova Era...

Devaneios de uma primavera feminista...



segunda-feira, 25 de junho de 2018

Identidade Cultural da Pós Modernidade - Stuart Hall

Quer conhecer nossa identidade cultural?
Ele é ideal, pequeno (são menos de 100 páginas), fácil de entender e traça o caminho da nossa cultura do Feudalismo até a identidade cultural global.
Faz referência a um "mar" de autores que mudaram nossa identidade como Freud, Darwin e Foucault. A linguagem clara e direta mesmo não aprofundando o conhecimento, dá suporte aos próximos livros.
A obra constrói de uma maneira super tranquila o que leva a fragmentação de uma identidade, ao questionamento do sujeito iluminista, sociólogo e moderno.
Apresneta a corrosão do caráter deste individuo citando o livro de Richard Senett, onde o capitalismo é analisado em relação nosso conceitos de vidas.
A descentralização desta identidade que possui não um e sim vários conceitos.
Uma cultura nacional como uma comunidade imaginada, onde acabamos absorvendo referências orientas mesmo nunca ter estado no Oriente.
Como a globalização comprimiu o espaço e tempo de nossa identidade, com a internet e a capacidade de comunicação evolui dando questionando a própria identidade nacional que é reconhecida por região, características e patriotismo.
Está obra vale a penas ser lida para um olhar critico e analítico do que a nossa modernidade acarretou em nossos conceitos.

Enfim mais um xodó!

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Onde Anda Você - Vinicius de Moraes

"E por falar em saudade
Onde anda você
Onde andam os seus olhos
Que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou morto
De tanto prazer

E por falar em beleza
Onde anda a canção
Que se ouvia na noite
Dos bares de então
Onde a gente ficava
Onde a gente se amava
Em total solidão

Hoje eu saio na noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares
Que apesar dos pesares
Me trazem você

E por falar em paixão
Em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares
Na noite, nos bares
Onde anda você"

Você procura em esquinas, bares, faculdades, rostos semelhantes mantem um dejavu em sua cabeça: Onde está você?
Porque a mente trabalha mil vezes ferozmente quando a pessoa está longe para encontrá-la?
E a saudade sensibiliza até Vinicius de Moraes porque não me mataria?
A distância nos confunde, surta, machuca e nega prazeres a namorados.
Prantos explodem na solidão de um quarto escuro pela saudades.
Uma mãe que se foi, sem antes ver a filha formar uma frase!
Avós queridos que podiam ter permanecido mais tempo.
Mas está longa distância é inevitável, é a manutenção do mundo! A morte é incerta e não há crença que acabe de imediato com a dor que ela causa!
A distância de dois corações mesmo a centímetros, dói demais quando seu corpo o deseja o dele dentro de você, nada parece tão distante depois de uma briga por telefone, nada parece tão isolado quando seu amor está em prantos!
Nesta distância você culpa desejos, atrações, sentimentos e até amaldiçoa o tempo. Mas nesta distância toda, você conquista, cria expectativas, ama detalhes e amaldiçoa a internet ou a operadora quando tudo falha na hora que você necessita só ouvir a pessoa.
Vinicius de Moraes deveria ensinar as pessoas que o pior não é amar a distancia e sim não amar com receios!

Enfim devaneios com a saudade!

Arre, estou farto de semideuses! - Fernando Pessoa

Mexendo em minha miniestante, encontro um poema que estudei e analisei em minha adolescência, de um dos meus escritores favoritos: Fernando Pessoa.
Nascido em Lisboa em 1888, ainda faz o coração de muitos jovens suspirar (inclusive eu mesmo sendo velha rs), com toda a sua obra poética e sendo um grande tesouro de nossa literatura.
O poema rabiscado, rasurado e amassado: Poema em linha reta, onde ele reclama há 90 anos de sua genialidade que as pessoas só contam vitórias!
"Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo.
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza."
Antes de de minha humilde pessoa nascer, Fernando Pessoa dizia que as pessoas não aceitam a si mesmas, que preferem mostrar o quanto a sua vida é perfeita, que não existem defeitos em sua vida. Será que dá certo?
Olha eu não sei para elas, mas para mim se resume em fadigas e bocejos! Para que dizer que sou perfeita? para que ostentar riquezas que não possuo? para que mostrar beleza que quase morro para obtê-la ou mante-la? Pra que manter uma pessoa ao meu lado que só é linda em fotos de redes sociais?!
Fico imaginando o que seria de Hamlet no Facebook, um desconhecido qualquer que se eternizou em um monte de folhas que hoje não é importante? Será que Nero seria comparado com Bolsonaro?
Porque a busca da felicidade vêm com a luxúria de adereço? 
Porque precisamos de tudo isso, sendo que não traz felicidade?
Faço das palavras de meu eterno e platônico amor Leandro Karnal : "Toda está característica contemporânea da resistência do negativo e ao ódio", e analisando pela opinião deste homem brilhante e repetindo com as mesmas palavras: "Será que as pessoas não tem direito de ficarem tristes?"
Enfim... divagações inspiradas em Fernando Pessoa!

Uma vira-lata

(Releitura do texto Clarice Lispector - atividade da aula produção textual - Profª Clarissa Feder)


Era uma vira-lata, bem cuidada, quase uma madame, mas seu pêlo escuro a denunciava. Das tetas mal saiu e foi para cozinha ajudar no que podia e não devia atrapalhar, afinal era filhote da vagabundagem.
O segredo era manter a invisibilidade para os Humanos, ouvir antes de ser desejado, lamber antes da sujeira, olhar sem levantar a cabeça
A invisibilidade só acabou diante da adolescência, a atenção foi para as curvas maduras. E no calor do fogão e na organização da dispensa o Humano descobriu a posse, um brinquedo vivo para aguçar a imaginação e a vira-lata sem reação alguma até o Humano acabar sua degustação.
O escândalo foi jogado, como águas nas escadarias da Igreja, do parque Panorama até o alto do Papagaio, uma vira-lata, está emprenhada de um Humano!
Que “auê” : - Como?! Um humano engravidou alguém assim! Mas acho que a culpa foi dela! Toda cadela escura tem o quadril que pede isso!
De tanta agitação, a melhor atitude foi encontrada! Escorraçar na sarjeta, com seus panos de bunda a maldita vira-lata, alimentos podres atirados para mostrar a indignação daquela gestação e paus jogados para dizer a dor da família que foi tão insultada.
E ali podia padecer e aceitar o destino de ter um fim arrebentada. Mas brotou uma força inesperada e pulou cambaleando a cerca. Com dor no corpo, no pensamento e vendo o rosto do ódio com todo o desespero.
Num casebre, nasce o fruto de um defloramento e a força vital que precisava para lutar, Taiana era só sua.
E sem lugar na Feira de Santana, foi procurar sobrevivência para sua filhote e sua velha mãe.
Chegada a terra da garoa, o feio se tornará bonito, o frio se tornará quente.
De cozinha já entendia
Podia se dizer que nasceu para isso!
De casebre com palha a cantinho com colchão, a vida ficou mais vivida!
Seu dom da cozinha era formidável, não entendia um símbolo sequer do alfabeto, mas todos os pratos estavam preparados sem sequer um defeito.
E numa tarde de primavera, encontra outro vira-lata para seu coração aconchegar…
De um cantinho do colchão, para um lar. Alimentava seu coração, sua mãe e sua Taiana e a surpresa vem de repente:
-Prenha? De novo?!
Mas desta vez não do medo, caos ou tormento. Era semente de um casamento, o amor arrebentava o peito e jorrava até nos cimentos. De tudo fez: de almofada branquinha e até orgulho da barriguinha.
Este devia ter sido o final... mas o não era destino! O peso do fruto despertou todas as mazelas. Mesmo sendo sugada pela sua amada, continuou nas cozinhas. Mesmo vendo Humanos de jalecos brancos sempre, continuou sua batalha. E seu prematuro amor chegou mesmo com toda a sofrência.
Podia ser séculos, décadas ou anos mas a alegria de uma nova vida durou apenas trinta meses e a vira-lata da cozinha, que correu do calor da Bahia para a terra da  garoa desconhecida vê o final da linha…
Na maca de um hospital e por erro de um jaleco branco, sente sua alma arrancada.

E ninguém ao menos argumentou com Deus, era apenas uma Conceição.


(Obrigada por está inspiração Clarissa e Clarice! Sou uma nova pessoa)

Til, Berta ou Inhá... Era a flor da caridade, alma sóror!

Um dos livros que marcaram o romantismo regionalista, publicado em 1872, nesta época José de Alencar um escritor fantástico e que adorava inserir novas palavras ao nosso vocabulário (rs). Mas isso se devia a época e a região.Além de ser um romance, ocorre no interior de São Paulo e foi um dos últimos livros desta época.
O livro é um romance modinha (rs)! Não é atoa que a maioria dos livros de José de Alencar se tornaram novelas, como este mesmo livro que foi apresentado num longa juntamente com A Viuvinha e O Sertanejo.
Vamos ao livro!
O livro é dividido em partes. A primeira parte é um tanto cansativa, pois conta a história de cada personagem, a localidade do enredo e a conexão de cada um. A segunda parte já inicia com o desfecho que o capanga Jão Fera volta a cidade com um propósito que todos desconhecem, porém todos o temem por ser tão cruel e "sangue-frio". 
Berta, a protagonista é uma verdadeira heroína como em todo romance.Com grande coração, ela passa a maior parte do livro ajudando as pessoas, como a negra Zana que sofre com um profundo trauma causado pela morte de Besita, que é o grande clímax do livro. Também ajuda muito Brás, que é um deficiente mental, primo de sua melhor amiga Linda e de seu amado Afonso. Miguel, o amigo que é apaixonado por Berta, mas como nossa Til não corresponde a este sentimento, pois sua amiga Linda é apaixonada por ele e em toda história Berta tenta uní-los.
O livro se tornou um clássico e favorito dos vestibulares por marcar o final do romantismo. Após ele, ainda na mesma época os enredos, personagens e focos mudaram drasticamente porque o realismo foi ganhando espaço e as personagens começaram a se tornar mais humanas, com qualidades e defeitos. Super indico ler após Til, Memórias de um sargento de milicias de Manuel Antonio de Almeida para sentir a mudança de personagem, o que vai ajudar a sentir a mudança de época da literatura sem complicações.
Para você que começou a ler, seria mais interessante começar com outros clássicos cuja história seja mais dinâmica para acostumar a leitura como Capitães de Areia, de Jorge Amado.
Um fato importante que ocorre na história é o momento que Jão Fera analisa a paisagem que mostra que o desmatamento e as indústrias chegam a Campinas.E também expõe o êxodo rural, pois no final todos acabam partindo do interior para capital. Quem decide manter a residência é somente Til, Jão Fera e Zanza que preferem a vida "pacata".Isso é conspícuo, pois mostra que o êxodo rural afetou a todos indiretamente, até mesmo grandes escritores como José de Alencar.
Mas o romance é lindo, envolvente, muito bem elaborado e apaixonante!
Bem devaneios de Literaturas...